Materiais mais utilizados em sessões de arteterapia
- Ana Paula Batista

- 7 de fev.
- 6 min de leitura

Uma pergunta que recebo com bastante frequência, e que talvez seja uma curiosidade sua também, é sobre os materiais mais utilizados em sessões de arteterapia. Vou falar sobre os que mais uso nos meus atendimentos, mas talvez você queira saber primeiro como funciona uma sessão de arteterapia. Então, vai lá nesse link que te espero aqui.
Os materiais são de fundamental importância na condução do processo arteterapêutico e são escolhidos a partir das demandas de cada paciente no momento, considerando as propriedades terapêuticas de cada um.
Os materiais vão possibilitar a criação de uma obra ou imagem, um dos pilares da relação terapêutica. São como a nossa “maleta de medicamentos”. Assim, é muito importante ressaltar que as sessões de arteterapia têm o objetivo de tratamento, não sendo apenas mera experimentação de materiais e linguagens sem um plano terapêutico conduzindo o trabalho. Existe sim a experimentação, mas não de forma solta ou sem algum objetivo relacionado ao processo do paciente.
Quando pensamos em materiais para arteterapia as possibilidades são inúmeras, passando pelos mais óbvios, mas também indo para os inusitados ou improvisados. Vou expor aqui os que mais utilizo.
Papel
Ah o papel… papel é base e versatilidade. Como um dos suportes mais utilizados no ateliê, ele recebe rabiscos, desenhos, formas, manchas, cores, palavras, colagens. Ele pode ser dobrado, pintado, molhado, rasgado, queimado, amassado, ganhar corpo e tridimensionalidade. Existem muitos tipos de papel, todos muito bem vindos na arteterapia. Podemos trabalhar com papel sulfite, papel colorido, papéis de diferentes texturas (como crepom, camurça e seda), cartolina, papel cartão, papel de presente, papéis de gramaturas mais altas para pinturas, papel para aquarela, além de reutilização de jornais, revistas, papelão.

Tela
As telas consistem em uma das opções de superfície para pintura. São basicamente compostas por um tecido, normalmente algodão ou linho, esticado em um chassi de madeira. Elas podem ser encontradas de diferentes tamanhos e tipos.
A tela, assim como outros suportes, vai ser o espaço onde o mundo interno do paciente se manifesta. Entretanto, diferente de suportes efêmeros, ela oferece uma estrutura física mais robusta, que dá contorno à expressão das emoções.


Lápis grafite
Os lápis de grafite são materiais gráficos que permitem um trabalho mais detalhado e preciso, exercitando o limite, a atenção, a concentração, a coordenação motora fina e o controle. Os lápis variam de acordo com o grau de dureza e maciez (B, H, HB) e essa diversidade proporciona diferentes tons, texturas, linhas finas e grossas. Os lápis podem ainda ser explorados mudando o ângulo com relação ao papel e a pressão exercida no traço.

Lápis de cor
Os lápis de cor, muito conhecidos e utilizados quando estamos em fase escolar, especialmente para desenho. Da mesma forma que os lápis de grafite, os lápis de cor trabalham o limite, a atenção e a concentração, tendo em vista que proporcionam um traço firme e preciso. Entretanto, eles trazem também as cores que permitem a expressão de emoções.
Existem, ainda, os lápis de cor aquareláveis que permitem que os traços virem manchas quando em contato com água, trazendo outro efeito ao trabalho e a possibilidade de explorar controle e fluidez.
Aqui já te dou uma dica… se você vai comprar lápis de cor, considere comprar os aquareláveis, pois assim você tem mais essa opção de uso, caso queira experimentar o efeito de aquarela em contato com água.



Canetinhas
As canetas, de forma geral, incluindo as canetinhas hidrocor são materiais gráficos de muita precisão, firmes e com cores vibrantes. Com traços bem definidos, podemos trabalhar com limites e contornos, assim como com a permanência, tendo em vista que o traço feito não pode ser apagado.

Giz de cera
Giz de cera, pra mim, tem cheiro de infância. Fácil de usar, inclusive para pessoas com dificuldades motoras, e com cores vibrantes, é um material que convida para explorar suas diferentes maneiras de usar, não apenas com relação a formas de manusear, como também com relação aos diferentes suportes que podem ser utilizados. Os gizes de cera permitem traços, coberturas mais suaves e até mesmo certa fluidez quando derretidos.



Carvão
O carvão, material tão antigo, pode ser encontrado em pedaços, bastões ou mesmo como lápis. Por não ter aglutinante, um risco pode ser transitório, pode ser suavizado, espalhado com os dedos ou com um esfuminho, trazendo diferentes tons e texturas. Dessa forma, é um material muito bom para trabalhar luz e sombra, bem como a impermanência.



Giz pastel seco
O giz pastel seco, encontrado em barrinhas coloridas e bem pigmentadas, permite a criação de texturas suaves e degradês, com efeito visual delicado. Da mesma forma em que é possível fazer linhas mais precisas, é possível dar expansão aos traços espalhando o pigmento. É um material frágil que nos chama para a delicadeza e possibilita trabalhar o relaxamento, as emoções, a mistura de tons.


Giz pastel oleoso
Posso dizer que é um dos meus materiais artísticos favoritos! Para quem não tem muita intimidade, o giz pastel oleoso pode se parecer com o giz de cera, entretanto suas composições e, consequentemente, resultados são bem diferentes. O pastel oleoso é bastante macio, pigmentado e desliza sobre a superfície. Permite a mistura de cores e também a suavização de seus tons. Além disso, pode ter um efeito muito interessante quando misturado com algum tipo de óleo, o que traz mais fluidez para o material. É um material que possibilita exercitar a atenção, a concentração, o relaxamento, bem como a expressão de emoções.



Tintas guache e acrílica
As tintas, muito utilizadas na arteterapia para explorar as emoções, trazem a fluidez e diferentes texturas e composições. São materiais que favorecem o soltar-se, a liberação e quebra de barreiras, além de estimularem a imaginação e a criatividade. Podem ser utilizadas de diferentes formas, com o auxílio de pincéis, de objetos diversos (cotonetes, esponjas, rolinhos, espátulas etc.) e, inclusive, com as mãos e os pés.



Aquarela
A aquarela pode ser encontrada em pastilhas, tubinhos ou mesmo líquida. É necessário adicionar água para termos a tinta, espalharmos o pigmento. A proporção entre água e pigmento vai gerar seus diferentes efeitos, podendo ter tinta mais densa ou bem aguada. Uma característica da aquarela é a sua transparência e a possibilidade de sobreposição de camadas. Pintar com aquarela nos possibilita o contato com nossas águas internas, com nossas emoções, além do trabalho com fluidez e controle. Pode ser extremamente prazeroso ou extremamente desafiador. Como a tinta fica muito líquida, é recomendado o uso de papéis específicos para aquarela.




Fios, fitas, linhas, retalhos e tecidos
Materiais que se cruzam, se entrelaçam, se embolam, tecem, ligam, unem e formam tramas de vida. Podem ser usados para costura, bordado e tecelagem, práticas muito antigas, ou até mesmo para colagem em diferentes suportes. São materiais que ajudam no exercício de paciência e ordenação, exigindo foco e concentração.




Materiais orgânicos
Sementes, folhas, flores, grãos, galhos, gravetos, pedras, terra, areia, madeira… tudo isso é muito bem vindo no setting arteterapêutico. Cada um desses materiais permite a realização de diferentes atividades, como pintura de pedras, colagem com terra, mandala de flores, mosaicos com folhas secas, plantio de sementes, esculturas, entre tantas outras. É possível explorar diferentes formas, tamanhos e texturas, sempre exercitando a criatividade, além do contato com o simbolismo de cada material.



Sucata
Materiais que iriam para o lixo, como embalagens diversas, ganham nova vida, nova forma, possibilitando a ressignificação, a construção de obras tridimensionais, o exercício da organização e planejamento, bem como da criatividade.

Massinha de modelar
Também remetendo à infância, flexíveis, maleáveis e com cores vibrantes, as massinhas de modelar nos convidam a trabalhar com volume e tridimensionalidade, permitindo modelar, construir, destruir, transformar. Exercitamos a sensação tátil e a coordenação motora fina, além da criatividade. A manipulação da massa já pode ser em si uma atividade bastante relaxante.


Argila
A argila, por ser composta por barro, apesar de possibilitar também a modelagem, tem propriedades terapêuticas bem específicas e diferentes de outras massas (massinha, cerâmica fria, papel machê). Ao ser manipulada, a argila libera tensões e emoções, nos coloca em contato com a terra e com o simbolismo da criação, podendo ser uma experiência muito agradável para algumas pessoas, porém extremamente desagradável para outras.



Esses materiais podem se combinar em diferentes linguagens (falarei sobre as linguagens expressivas em outro artigo), de inúmeras formas, possibilitando que aquilo que está inconsciente apareça por meio de símbolos. Assim, o processo de ampliação da consciência vai acontecendo e a arte proporciona transformação e cura.
Os pacientes de arteterapia não precisam ter habilidades artísticas ou conhecimentos técnicos de arte, pois o que importa é o processo criativo. Mas, cuidado! Pode acontecer de se apaixonarem tanto por um recurso expressivo a ponto de desejarem se aprimorar tecnicamente. Já deixo a advertência! Aconteceu comigo e pode acontecer com você também.
Agora imagina você diante de uma mesa com todos esses materiais disponíveis. Qual você ia querer experimentar primeiro? Tem algum que você já tenha experiência? Me conta aqui nos comentários.
Não sei como você se sente, mas quando eu imagino essa cena, vejo uma criança encantada pelas cores e texturas, querendo experimentar, sentir, ousar, criar. O contato com esses materiais dão à Arteterapia um caráter mais lúdico e divertido, ao mesmo tempo em que se trata de um processo profundo de transformação.
Se você sentiu que é pra você, entre em contato comigo e podemos marcar uma conversa virtual pra gente se conhecer. Se ainda estiver em dúvida, me mande mensagem também. Será um prazer explicar melhor sobre a arteterapia.
Referências
CARRANO, Eveline; REQUIÃO, Maria Helena. Materiais de arte: sua linguagem subjetiva para o trabalho terapêutico e pedagógico. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2022.
PHILIPPINI, Angela. Linguagens e materiais expressivos em arteterapia: uso, indicações e propriedades. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2018.
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