• Ana Paula Batista

Eu não devolvo a sua autoestima em três dias



Desculpa te decepcionar.


Você deve estar se perguntando “uai, Ana, mas você não faz ensaio terapêutico?”


Sim. Eu considero um ensaio fotográfico voltado para a reconexão consigo altamente terapêutico, mas isso não quer dizer que ele se resolva em si mesmo. O processo que vai desde tomar a decisão e dar o primeiro passo querendo fazer o ensaio até o recebimento das fotos contratadas pode sim dar uma elevada na autoestima. Entretanto, tenho observado que a questão é muito mais profunda.


Não se aceitar, não se achar bonita, estar de mal com o espelho não é um problema seu, acredite. Além de não ser uma questão individual, é muito anterior ao seu nascimento ou ao meu. Infelizmente, nós mulheres acabamos tomando uma dor coletiva como individual, acreditando que é um problema só nosso, como se tivéssemos algum defeito. Colocamos em nossas costas um peso muito maior, que nem deveria existir. Com isso sofremos, nos maltratamos, nos esquivamos de tanta vida.


A quem interessa mulheres com baixa autoestima? Quem ganha com isso?


Percebe que existem interesses por trás desse sentimento tão comum às mulheres? Será que interessa ao patriarcado, e a todas as instituições que o representam, mulheres poderosas e donas de si? Mulheres que acreditam que são belas sem precisar consumir. Mulheres que sabem que têm os mesmos direitos e que não precisam ser submissas aos homens. Ou serão expulsas do paraíso?


Eu sei que é uma questão profunda. E é por isso que eu digo que não vai ser uma sessão de fotos que vai resolver, pois sofremos o impacto de muito tempo antes da nossa existência. Mas posso dizer também que uma sessão de fotos pode ser um passo importante na sua jornada de autoconhecimento. Tem sido na minha, mesmo que algumas vezes eu não goste muito do que vejo inicialmente.


Observar nossas fotografias e o que sentimos ao vê-las pode nos dar dicas do que devemos farejar. E farejar é o que podemos fazer para encontrar aquilo que buscamos: a conexão com nós mesmas.


Com amor,

Ana


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