Alice {parto domiciliar}

abril 8th, 2014

Quinze anos separavam os dois partos. Se de um lado havia a segurança de quem já tinha passado pela experiência e, portanto, daria conta, por outro lado a constatação de que cada parto é único se fazia presente. Priscilla pariu a primeira filha de cócoras na maca do hospital, a contragosto das enfermeiras e com o aval do médico plantonista, pois seu obstetra tinha viajado. O parto da segunda filha ela queria que fosse um pouquinho diferente. Em casa. Com a presença do seu marido, de seus pais e da sua filha mais velha. Para que isso fosse possível, contratou uma equipe humanizada que respeitasse suas decisões e a respeitasse como protagonista do próprio parto.

Amanda, a filha mais velha, estava com viagem marcada para o dia seguinte. A pequena Alice, querendo que sua irmã presenciasse seu nascimento, resolveu chegar numa tarde de quarta-feira, véspera da viagem de Amanda.

Eu estava no meio de uma aula do curso de edição de vídeo que estava fazendo na época quando percebi que tinha chegado uma mensagem no celular. Mensagem da doula avisando que a Pri estava em trabalho de parto. Acho que nunca vou parar de sentir frio na barriga nessa hora. Dessa vez não foi diferente. Erica disse que o trabalho de parto estava progredindo bem e que achava que não demoraria de nascer.

Quando cheguei na casa da Pri, a encontrei na banheira, onde ela ficou boa parte do tempo, na tentativa de aliviar um pouco as dores. Seu marido e a filha estavam sempre por perto. Fazendo um carinho, jogando água em suas costas ou simplesmente a observando com amor e admiração por sua força. A dor era intensa. As contrações bem efetivas. A enfermeira dizia pra ela ouvir seu corpo e fazer o que o corpo estava pedindo. Sem pestanejar a resposta foi “Analgesia! Analgesia!”.  Hoje morremos de rir com essa história!

A equipe muito atenciosa e respeitando os momentos em que Priscilla queria ficar sozinha com o marido ou com a filha, ficava por perto e de tempos em tempos ia ver como as coisas estavam evoluindo. É interessante como o padrão de comportamento da mulher vai mudando com o desenrolar do trabalho de parto. Agonia, necessidade de mudar de lugar e posição, relato de vontade de desistir… Estava muito perto! Pri resolveu ir para debaixo do chuveiro e foi lá que a pequena Alice foi recebida. Banhada pelas águas que trouxeram alívio e cercada de olhares amorosos e votos de boas vindas. Bela forma de vir ao mundo!

No banheiro, um adesivo trazia palavras de Michel Odent: Para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer. E Priscilla fez sua parte! Não só em optar por um parto respeitoso para a Alice, mas também por mostrar à sua filha mais velha a forma natural de se nascer. Forma como suas duas filhas nasceram.

O Vídeo

Aqui está essa história contada em vídeo, com direito a músicas que embalaram o nascimento da Alice!

Alice {parto domiciliar} from Ana Paula Batista on Vimeo.

A Equipe

Obstetra: Rachel Reis

Enfermeira obstétrica: Melissa Martinelli

Doula: Erica de Paula

Quando sapatinhos representam sonhos e expectativas

março 27th, 2014

Depois do resultado positivo, o casal enfrenta um turbilhão de sentimentos. A notícia às vezes é recebida com surpresa. Às vezes é recebida com a alegria de quem já a espera há um tempo. E então vêm os medos, as certezas e as dúvidas, as ansiedades, os planos. Desejos e, quem sabe, enjoos. Não importa a circunstância, se planejada ou não, uma gravidez vem cercada de expectativas. E com elas, sonhos.

A Carolina nasceu alguns dias depois da nossa sessão, que foi pura leveza e diversão. Tão bom fotografar gente que se ama e está transbordando felicidade com a vinda de seu bebê… Acho que foram os pulos da Lucie que animaram a mocinha! rs

A família moderna cresceu!

março 17th, 2014

Em novela, quando a bolsa rompe todo mundo corre para o hospital muito depressa porque o bebê está nascendo. Se não for depressa, o bebê nasce no carro ou no meio da rua. E o nascimento do bebê tem clima de perseguição policial. Mas na vida real não é bem assim… Nem sempre o rompimento da bolsa indica que se iniciou o trabalho de parto. E também nem sempre tem que correr para o hospital porque muitas mulheres planejam parir em casa. Isso mesmo… planejam! Os partos domiciliares que fotografo são planejados. Os bebês não nascem em casa por falta de tempo de ir ao hospital, como já me perguntaram.

Numa manhã de terça-feira acordei com a lembrança de um sonho. Sonhei que estava na casa da Tatiana do blog Manual da Família Moderna (se não conhece ainda, sugiro a visita!). No meu sonho, ela em trabalho de parto ativo estava na piscina, e eu agachada num cantinho da sala ficava observando e esperando os melhores momentos para as fotos. Levantei e me arrumei para o trabalho como de costume. Ainda no início da manhã, a mensagem “pre-pa-ra!”… a bolsa estourou! Nada de pânico e correria. Eu sabia que ainda podia demorar horas ou até dias para iniciar o trabalho de parto. Fiquei apenas aguardando novas notícias.

As notícias chegaram de madrugada. Contrações mais ritmadas e com menor intervalo entre elas. Por volta de 1h30 da manhã eu já estava no local do meu sonho. Na entrada da casa, uma frase me ambientava com o clima daquela noite. Vem bebê! Se seria Clara ou Francisco não importava. O bebê já era amado e esperado. E eu já tinha o meu palpite. ;-)

Um pouco depois a parteira chegou. As meninas dormiam. Aqui vale uns parênteses… A Tati e o Marco são pais de duas meninas lindas e gêmeas de dois anos de idade. Maria e Bella. Quem acompanha o blog da Tati também acompanha as peripécias dessas duas mocinhas.

Enche piscina. Liga mangueira. Coloca água pra ferver. Abraça. Faz carinho. Sorri com cara de quem está ali emanando amor e todo apoio do mundo. E assim segue o Marco, marido, pai, companheiro.

O trabalho de parto vai evoluindo. Devagarinho, no seu ritmo, madrugada adentro. A luz do dia invade aos pouquinhos a sala. Tati segue firme, tentando descansar nos intervalos das contrações. Chama seus pais para levarem as meninas pra passear e eles logo chegam. O avô prepara a vitamina e a avó arruma as meninas. Eles saem sentidos por não ficarem pra ver o novo netinho ou nova netinha nascendo, porém com aquela energia gostosa que só os avós têm quando estão levando netos para passear e passar o dia, felizes por estarem bem acompanhados.

Passado o agito da arrumação das meninas, são somente eles três retomando a concentração no trabalho de parto que tinha perdido um pouco seu ritmo. E vamos embalados por Nando Reis, Flávia Wenceslau e pela voz uruguaia deliciosa de Jorge Drexler. Lágrimas rolam.

A tarde vem chegando. As contrações são comemoradas. A dor indica que está cada vez mais perto de conhecermos o rostinho do bebê. Saber se é menino ou menina. Se é parecido com o pai ou com a mãe. E Tati repete pra si mesma: “a contração é minha amiga”. Ri. Chama seu bebê. Fiquei emocionada quando ela disse a seu bebê que ele podia vir, que ela estava pronta pra recebê-lo e em seguida sentiu seu corpo se abrindo um pouco mais e o bebê descendo. Foi lindo! Chorei ao ver o tamanho daquela conexão.

Voltou a noite. O cansaço foi batendo em todo mundo, mas sem desânimo. Sushi para o jantar. E ficava muito claro de que em parto não há controle. A madrugada chegou e com ela a decisão de irmos para o hospital, onde foi feita uma cesárea. Decisão difícil pra quem planejava um parto domiciliar.

E então… Clara ou Francisco? Meu palpite estava certo!

Francisco é a cara de suas irmãs! Nasceu na madrugada da quinta-feira, após um longo trabalho de parto. Longo e transformador, acredito. E a família moderna transborda felicidade com o nascimento de mais um membro! Agora são cinco!

E para quem quiser ler o relato da Tati, é só clicar aqui!

Tati, muito obrigada a você e ao Marco pela confiança. Por me acolherem tão bem no ninho de vocês. Desejo que o Francisco traga ainda mais alegria e diversão a essa família moderna tão querida!

Mariane Florinda {em seu universo feminino}

março 6th, 2014

Hoje me deu vontade de mostrar um trabalho um pouco diferente do que costumo publicar aqui no blog. Não é parto, não é gestante e nem família. Muito menos criança…

Uma ligação de mais de mil quilômetros de distância. Do outro lado da linha, uma amiga baiana me propondo um desafio… um ensaio seu e só seu. Desafio porque é um trabalho que sai um pouco do universo em que estou mais acostumada, a tal da zona de conforto que nem sempre é tão confortável assim, e mergulha em um universo mais intimista e autêntico… No universo feminino de Mariane Florinda, uma mulher que além de linda, independente e dona de um sorriso inspirador, é exemplo de garra e determinação. Mulher que faz acontecer, sabe como é?

Há alguns anos, quando estava começando a fotografar, li num livro de um fotógrafo famoso que ele ao retratar uma pessoa procurava capturar sua alma, sua essência, e passar para a fotografia. Eu ficava me perguntando se isso era possível e como isso era possível. Essa habilidade, na época,  me soava tão mágica, exotérica e empírica ao mesmo tempo. No meu imaginário fértil, a cena tinha uma varinha capaz de revelar aquilo de mais misterioso que alguém pudesse guardar em seu olhar, ou pelo menos ondas coloridas de energia ou, quiçá, um transe hipnótico. Me perguntava se um dia seria capaz de fazer tal magia. Quem sabe com o tempo e muito treino?

Fazer retratos de uma pessoa requer observação. Observação para se perceber como aquela pessoa se comporta. Seus jeitos e trejeitos. Temos que saber suas expectativas e nos atentar para o fato de que a fotografia é o resultado de bagagens culturais, íntimas e sociais que se misturam. Bagagens e histórias do fotografado e do fotógrafo, que percebe o meio, interpreta e transmite sua mensagem por meio de imagens. Nada é objetivo. Nada é completamente imparcial. Uma sessão de fotos envolve confiança mútua e cumplicidade. Entrega em pista de mão dupla.

Apesar de não ter muita experiência em ensaios-de-uma-pessoa-só, sou fascinada pela arte de retratar. Vi nesse ensaio de Mariane a oportunidade não só de fotografar uma mulher linda e querida, mas também de observá-la melhor e treinar essa habilidade de mostrar o que vem de dentro. De capturar o que é autêntico e quebrar as barreiras do tempo eternizando em fotografias.  E sorri quando nelas a reconheci.

Posso dizer que no decorrer dos últimos anos fotografando, admiro cada vez mais o autor desse livro que mencionei – quero lê-lo novamente, agora com outros olhos, e quem sabe fazer uma resenha aqui no blog – e outros artistas que conseguem colocar a alma de seus modelos nas fotografias, como se as salpicassem com pó mágico. Bob e outros grandes fotógrafos que exercem o retrato com tanta maestria, minha admiração e respeito!

Mari, é assim que te vejo. É assim que te retrato.

A casinha do Lorenzo {cinco minutos de foto}

fevereiro 25th, 2014

Em passeio com a família durante as férias, num belo dia quente e ensolarado, paramos cinco minutinhos no meio do caminho pra ver uma igreja antiga de Rio de Contas, na Bahia. Cinco minutinhos e essa parede linda e inspiradora… Era o que bastava pra eu fazer umas fotos da minha cumadinha linda e da casinha do Lorenzo.

A casinha do Lorenzo está crescendo a cada dia,  cheia de calor e proteção pra esse pequeno que já é tão amado. E ainda vai aparecer mais por aqui!

O horário era ruim, luz complicada, o intuito não era fazer um ensaio (mesmo porque tinha um monte de gente dentro do carro esperando), mas eu não podia perder a oportunidade de fotografar essa linda do meu coração nos cinco minutos que se abriram pra mim como um leque!

 

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