Parir sorrindo {uma história de parto domiciliar}

janeiro 21st, 2015

No comecinho da gravidez, eles já frequentavam a Roda de Gestantes das doulas Taiza Nóbrega e Joana Andrade. Casal simpático e sorridente que demonstrou desde o início que queria um nascer respeitoso para seu bebê. Entretanto, tinham uma preocupação… Moram em uma cidade que fica a 75 km de Brasília e não conheciam nenhuma equipe de parto domiciliar por lá e tinham notícia de que os partos hospitalares não eram nada humanizados como desejavam. Pesquisaram algumas equipes de Brasília que disseram não ser possível atender em sua cidade, justamente pela distância dos hospitais daqui, caso fosse necessária uma transferência.

Simpatizei tanto com o casal que ofereci minha casa pra eles, se não encontrassem uma alternativa. Eles demonstraram tanta segurança e tanta vontade de ter um parto domiciliar… Não me esqueço da expressão da Cilene quando respondi afirmativamente, no final da Roda, à sua pergunta “Ana, você tava falando sério?”. E vi o sorriso lindo que ela tem se iluminar ali na minha frente. Eu só não sabia ainda que teria a honra de ver esse sorriso tantas outras vezes, inclusive durante o trabalho de parto. As semanas se passaram…

No meio da manhã, Taiza me liga dizendo que Cilene estava em trabalho de parto e que ela iria pra sua casa depois do almoço. O equipamento já estava pronto. Ajeitei a logística de casa, da minha filha, remanejei a agenda, almocei rapidinho e encontrei Taiza, com quem peguei uma carona. No meio do caminho, encontramos a enfermeira obstetra e pegamos estrada.

Eles estavam bem tranquilos e felizes, pois sabiam que seu bebê, cujo sexo ainda era desconhecido, estava perto de chegar. Algumas horas se passaram. Cilene sempre esbanjava seu sorriso lindo entre uma contração e outra. E ali, de longe, vendo o desenrolar do trabalho de parto, não tinha como deixar de vir à cabeça a cena do documentário O Renascimento do Parto em que a parteira Naoli Vinaver diz “Nós gostamos de parir!”.

O bebê estava perto de nascer. A sala é bem espaçosa, mas seguindo sua natureza, Cilene se posicionou em um cantinho ao lado do sofá, voltada pra parede. Cantinho bem apertadinho. A equipe teve que mostrar toda a sua flexibilidade. Literalmente. Me posicionei entre a piscina e a parede, me equilibrando, rezando pra não deixar a câmera cair na água, e procurando um bom ângulo para fotografar o nascimento.

Foi ali, naquele cantinho acolhedor, que Edimar pegou seu bebê e o entregou à mãe. A emoção tomou conta daquele pedacinho da sala. Depois daqueles primeiros momentos de puro êxtase, veio a curiosidade para saber o sexo do bebê. E, quando parecia não caber mais emoção, começou o chororô todo de novo quando ouvimos “É menina! E seu nome será Helena!”.

E tem que ter foto com a fotógrafa também, né? Não dispenso!

Doula: Taiza Nóbrega

Equipe: Humaniza Parto Natural e Nascimento Planejado

Cor rima com Amor {espera pelo Lorenzo}

janeiro 16th, 2015

Lembro como se fosse hoje o dia em que ela chegou lá em casa dizendo que estava grávida. Lembro até da blusa amarela com colar colorido que ela usava. E sei o quanto aquele bebê era desejado e já amado. Vibrei muito por ela, uma das pessoas que mais amo nessa vida.

A maioria dos parentes e amigos apostava que seria uma menina. Eu nadei contra a corrente. Sabia que era um menino. Eu sonhava com ele. E nos meus sonhos sentia um amor imenso por aquele molequinho que nem havia dado as caras ainda.

A barriguinha foi crescendo devagar. Muito linda! E ideias, umas insanas e outras nem tanto, não faltaram para fotografar o crescimento daquele bebezinho ainda dentro da sua casinha. Fizemos um acompanhamento em quatro ou cinco sessões durante a gestação. Com direito a fotos e filmes. Ainda não sabemos o que faremos com o material todo, mas não poderíamos deixar passar a oportunidade. Afinal de contas, não é todo dia que se fica grávida! Quem sabe mais pra frente faço um post sobre o acompanhamento, com uma amostrinha de cada sessão?

A gravidez correu tranquila e, não sei pra ela que carregou o peso por meses, mas pra mim parece que passou tudo num piscar de olhos. Quando dei por mim, já beiravam as 33 semanas e estava na hora de fazermos a sessão com o barrigão (mentira… ficou uma barriguinha bem pequenininha!). Não gosto muito de deixar a sessão pra perto das 40 semanas. Porque, né? Vai que… E como decidimos que faríamos duas sessões, com conceitos e pegadas diferentes, já estava na hora de fazer a primeira “oficial”.

Nessa sessão exploramos locações mais urbanas e cores, muitas cores. Depois de conversarmos e discutirmos algumas ideias, chegamos a um consenso sobre lugares que seriam interessantes. Já pensando nos lugares, dei meu pitaco nas cores das roupas (Fotógrafos, se tiverem interesse, podemos falar sobre esses pitacos em outro post), para que tudo estivesse em harmonia e as imagens refletissem a linguagem que decidimos para a sessão.

Escolhemos um feriado e, pra minha torcida, o dia estava nublado. Isso mesmo! Nem só de pôr-do-sol vivem os fotógrafos, minha gente. Eu queria uma luz difusa, suave, sem sombras. E saiu tudo dentro dos conformes. Inclusive uma locação de improviso que decidimos no calor do ensaio pra fechar a sessão com brinde de cappuccino!

Essa história ainda terá muitos capítulos por aqui!

Seja leve, 2015!

janeiro 15th, 2015

Há alguns dias 2014 ficou pra trás, mas foi um ano que passou tão rápido, de modo tão intenso, que só agora a ficha está caindo. Tenho a sensação de que muita coisa ficou por fazer e a certeza de que muitos projetos sequer saíram do papel ou do mundo das ideias. Alguns desafios foram impostos. Talvez considerá-los como formas de aprendizado e crescimento tenha sido um desafio ainda maior do que eles próprios.

Entretanto, nem só de desafios foi feito o meu ano. Muito pelo contrário! As surpresas boas que a vida me trouxe fizeram de 2014 um ano maravilhoso, cheio de amor, sorrisos e planos para o futuro, tanto na vida pessoal como profissional.

Tive a honra de ilustrar belas histórias com minhas fotos. Histórias de nascimentos, celebrações por mais um ano de vida ou por uma nova vida que estava a caminho. Celebrações pela alegria de estarem juntos. Celebrações do amor nas pequenas coisas cotidianas.

Viajei. Visitei novos lugares. Fiz cursos enriquecedores. Conheci pessoas incríveis. Reencontrei pessoas queridas. Bati muito papo com café. E com cerveja. Dancei. Ri. Chorei. Fiquei puta da vida. Dei gargalhadas de mim mesma. Cantei alto como se ninguém estivesse me ouvindo. Comi coisas novas. Cozinhei mais. Virei noites acordada. Mais trabalhando do que em farra. Vi meu afilhado nascer. Literalmente. Corri menos quilômetros do que gostaria. Emagreci mesmo assim. Brindei. Me apaixonei. Escrevi cartas de amor. Chorei de saudade. Tive medo. Tive coragem.

Alguns planos terão que ficar pra o ano que já está começando com tudo. Ou 2016. Quiçá serão substituídos por outros e nunca tomarão forma. Tenho tentado aprender a ter mais flexibilidade. Com os outros e comigo mesma. E não é fácil! Temos que reconhecer nossas limitações e perceber que não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo. Temos que ser mais generosos, inclusive com a nossa própria avaliação, e levar uma vida mais leve.

Mesmo com essa sensação de atropelo, no fim das contas, o que fica é o sentimento imenso de gratidão, por tudo o que aconteceu e por cada um que cruzou o meu caminho, e de vontade de melhorar sempre. Sempre procurando trazer mais a fotografia para a minha vida e a minha vida para a fotografia. Buscando conhecimento, evolução e inspiração nas linhas, cenas, cores, sorrisos e o que mais tocar meu coração e atiçar o meu olhar.

Que venham as histórias de 2015! E que não me falte disposição nem inspiração pra sair numa tarde de domingo pra fotografar à toa, fazer novas experiências, me divertir.

As fotos em que eu apareço foram feitas pela Lu. Orgulho de mainha! :)

Ainda não revelei o filme dessa Pentax. Se prestar alguma coisa, mostro aqui qualquer dia desses.

Um dia com o Lucas {ensaio de família}

novembro 10th, 2014

Desde que comecei a fotografar, muita coisa mudou em minha vida… Pra melhor, acredito. Uma das coisas boas que a fotografia me trouxe foi poder conhecer pessoas incríveis e contribuir um pouquinho, com meu olhar, para suas histórias. E, pra minha felicidade, muitas dessas pessoas incríveis entram pra minha vida e se tornam amigas queridas.

Com a Flávia foi assim… Fui escolhida para contar uma bela história, que ficou conhecida como História de uma manhã de domingo. Parto é muito íntimo. Momento de família em que muitos sentimentos, vulnerabilidades e emoções podem surgir. Quando fotografo um parto, sinto que um vínculo especial se forma entre nós. E esse sentimento só vai aumentando quando sou convidada para fotografar o bebê e a família posteriormente. Tive o prazer de fotografar o Lucas com uma semana de vida e depois, quando ele estava com quatro meses, fazer uma sessão gostosa de família.

A sessão foi em casa, retratando um pedacinho de um dia de fim de semana. Respeitando a rotina do Lucas e flagrando sempre o seu olhar simpático e sorriso fácil. Ô menino gostoso e bem humorado! Entre brincadeiras, banho de chuveiro, mamadas, sonecas e sorrisos, nosso dia foi mais ou menos assim…

A Flávia passou de musa do parto para uma amiga muito querida. Como ela tem muito interesse em fotografia de família (e leva o maior jeito para fotógrafa), assunto em comum nunca nos faltou. Também já rolou Café e Bate Papo ao vivo, com direito a bolo de cenoura. Conversas e mais conversas sobre fotografia de família, mercado, ética profissional, equipamento, tratamento, referências, inspiração… E um carinho sem fim! Lindona, vamos marcar mais um café! Estou com saudades. :)

Essa sessão do Lucas já tem um tempinho… Ele está grandão, um verdadeiro rapazinho. Mas revendo alguns trabalhos, entre as centenas de posts que eu gostaria de ter feito e não fiz (ainda), deu saudade e vontade de mostrar um pedacinho do ensaio dessa família tão especial.

Caraminholas sobre inspiração e café de padaria

outubro 30th, 2014

Hoje resolvi começar o dia tirando uns trinta minutinhos pra mim. Não que eu pudesse fazer qualquer coisa que desse na telha… Estava no trabalho. Em um deles. Entretanto, em vez de comprar um pão de queijo, pegar um café sem açúcar para acompanhar, e comer na frente do computador lendo as notícias trágicas dos sites de notícias da cidade, resolvi tomar café em outro local, de preferência sem carpete nem ar condicionado. Resolvi ir caminhando. Sentir o ventinho bom da manhã e o calorzinho do sol que já dava as caras. Admirar o dia que estava lindo. Andar um pouco e pensar na vida. Ou simplesmente andar sem pensar em nada.

Me permiti tomar um café com leite e misto quente com ovo. A moça que me atendeu perguntou se era café da máquina automática de vários sabores ou o pingado tradicional. Optei pelo tradicional. Sem açúcar porque é assim que eu gosto. Café de padaria em pleno dia de semana. Por alguns minutos, parecia domingo. E domingo daqueles sem planos, em que dá pra fazer tudo com calma.

Na volta vim fotografando com o celular. Livre. Sem pretensão. As pessoas ficavam me olhando. Deviam estar pensando “o que a maluca está fazendo abaixada no meio do caminho?” ou ainda “o que a maluca está fotografando, pelamordedeus?”. Será que alguém se pergunta qual é a minha inspiração naquele momento? Sigo acreditando na teoria da maluca. Acho mais divertida.

Como é gostoso fotografar assim! Essa liberdade traz vontade de fotografar. Refresca a cabeça e faz um bem danado pra alma. E me bastaram trinta minutos… Não acho que tenha feito nenhuma foto espetacular. Muito pelo contrário. Foram fotos simples, sem nada demais. Com a leveza do meu pensamento no café de domingo sem ser domingo.

Ao voltar à dobradinha carpete e ar condicionado, encontrei com um amigo que disse que eu estava elegante, com cara de fim de semana. Achei engraçado e fiquei imaginando o que ele queria dizer com “cara de fim de semana”. Acho que ele falava da minha roupa. Percebi que vestia roupa com cara de fim de semana. Talvez meu momento de domingo em plena quinta já estivesse sendo matutado no meu inconsciente desde muito antes e eu não sabia. Talvez o que instiga a inspiração já estava trabalhando. E de onde será que vem essa tal inspiração? Isso eu pergunto a você!

Penso que devo fazer isso mais vezes. E sugiro que você faça também! Do seu jeito. Com o que te faz feliz.

No instagram sou @anapaulabatista. Lá tem um pouquinho dos meus dias, pela câmera de um celular. Assim como as fotos de hoje, as demais surgem assim… de momentos de leveza, quiçá de inspiração.

 

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