A chegada da Helena {uma história de parto domiciliar}

outubro 25th, 2014

Conheci a Fernanda e o Adriano na Roda de Gestantes das doulas Joana Andrade e Taiza Nóbrega, com quem tenho mais do que uma parceria… elas se tornaram amigas bem queridas. Nas Rodas muitas vezes é bem corrido e nem sempre consigo conversar com calma com as gestantes. Não me lembro muito bem se chegamos a conversar sobre fotografia de parto na Roda. Acredito que não ou que tenhamos apenas nos falado bem rapidinho. Mas me lembro do e-mail bem humorado da Fernanda, em que ela dizia já ter navegado por toda a minha vida digital, e que me atiçou a curiosidade de conhecer melhor aquela família e, se estivesse escrito nas estrelas, fotografar aquele parto.

Na visita pré-parto já percebi a mulher incrível que queria me contratar. Que sorte a minha! O Jão me estranhou no início, mas logo virou meu amigo, querendo chamego debaixo da mesa enquanto papeávamos com café. Conversamos sobre várias coisas e até sobre a fotografia do parto. Agora restava esperar chegar a hora.

Quando um parto vai se aproximando, tenho que adaptar minha rotina e tento sempre emanar muitos pensamentos positivos para a família, para o bebê que está perto de passar para esse outro lado. Pensei na Fê e mandei um e-mail por volta das 23h perguntando se estava tudo bem, pedindo notícias ou algo do gênero. Na manhã seguinte chega a mensagem dizendo que o trabalho de parto já estava bem adiantado. Nem pestanejei! Parei o que estava fazendo e corri pra casa onde Helena estava prestes a nascer.

Uma das parteiras já estava lá. Passou pra examinar e quando viu que a Fê estava com 9 centímetros de dilatação, achou mais prudente ficar. Jão deu umas latidinhas, mas depois lembrou do meu cheiro e voltou a ser meu amigo. A Fê não parecia a mulher falante que eu havia conhecido… Estava completamente concentrada no seu corpo, no seu processo.

O tempo foi passando e ela estava tranquila. Sentia as dores e relaxava quando as contrações passavam. Se movimentava pela casa. Agachava, levantava, caminhava. Lá pelas tantas foi pra piscina. Permanecia calada, mas continuava intensa. A piscina facilmente tomava ares de tsunami durante as contrações. Fê mordia um pano, mordeu o marido e acho que até a parteira… Mas em trabalho de parto tudo é permitido!

Jão de vez em quando dava um cheirinho encorajador e depois ficava só de longe observando. Ele sabia que algo de diferente estava acontecendo. Helena estava bem perto de chegar!

Ela nasceu tranquila, na água. Foi direto pro colo de sua mãe. Tenho a impressão de que ela nem percebeu que nasceu, de tão serena que estava. Aos pouquinhos foi abrindo seus olhos pra ver aqueles que já conhecia da vida dentro da barriga. A Fê voltou a ser a mulher falante que conheci. E aquela família não cabia em si de tanta felicidade!

Depois fiquei sabendo que bem cedo, assim que começaram as contrações, a Fê pediu pro Adriano me mandar uma mensagem avisando que o trabalho de parto estava iniciando. Passaram poucas horas e eu não tinha dado resposta. A Fê, mesmo na partolândia, estranhou e resolveu mandar outra mensagem. Foi aí que viu que a primeira mensagem foi pra outra pessoa… Viram como estava escrito nas estrelas?

Fiquei na dúvida quanto ao título do post. O primeiro que me passou pela cabeça foi “Jão, tsunami na piscina e uma calça rasgada”. O Jão vocês já viram. Também já falei sobre o tsunami na piscina. Mas e a calça?

Procurando um ângulo diferente, me abaixei e ouvi aquele barulho desesperador do rasgão da calça… Ufa! Foi no joelho! Pena que era minha calça favorita… Mas tudo pela arte! ;-)

Essas meninas lindas que acompanharam o parto foram a Ana Cyntia e Iara, parteiras da equipe Luz de Candeeiro.

A fotografia que está dentro de nós… e baguncinha com a Dindinha!

setembro 18th, 2014

Quando comecei a estudar fotografia e conhecer um pouco mais sobre esse universo, eu queria fotografar o tempo todo. Fotografar tudo. Fotografar todas as pessoas. Era como se o mundo estivesse sempre enquadrado, nos meus olhos ou no meu visor. Por onde eu andava, estava sempre em busca de uma boa fotografia, e carregava a câmera pra todo lugar.

Com o tempo resolvi fazer da paixão uma profissão. (Fiquei devendo post sobre minha trajetória, né? Ele vai chegar!) Quando a paixão vira uma profissão, muitas coisas mudam. Não digo que pra melhor ou pior… simplesmente mudam.

A paixão pela fotografia continua. Talvez fique até mais madura e sólida, assim como um namoro que sai daquele fogo inicial e vai se consolidando com base em admiração, intimidade e respeito. Entretanto, o tempo pra fotografar o mundo inteiro fica mais escasso. O corpo fica mais cansado, após horas e horas estudando, atendendo cliente, fotografando, editando, respondendo e-mail, alimentando blog, escrevendo artigo, encontrando parceiros, administrando facebook, estudando mais etc. A câmera já não anda mais comigo como se fosse extensão do meu corpo. Equipamento é pesado, é caro, exige atenção o tempo todo… Normalmente vem comigo só quando é para trabalhar.

O que se prejudica com isso? As minhas lembranças. As lembranças da minha vida pessoal que vai sendo menos fotografada, ou ao menos não tão fotografada como eu gostaria. Às vezes até fotografo um pouquinho do meu cotidiano, eventos de família, viagens (essas eu fotografo bastante!), mas as fotos entram na fila de edição e vão sempre sendo deixadas pra depois, pois o trabalho não para (o que é ótimo!). Como resultado, aquele velho ditado… o que os olhos não veem, o coração não sente.

Diante desse incômodo, me propus a estar mais atenta à fotografia da minha vida. Afinal de contas, não sou fotógrafa apenas quando estou trabalhando para clientes… Antes dos clientes, ela já estava dentro de mim, vivendo alegremente. Tenho procurado ter tardes livres para sair com minhas chatinhas (é assim que carinhosamente chamo minhas companheirinhas Lu e Gabi) ou com amigos pra passear pela cidade. Parar pra ver um por-do-sol. Comer bolo de cenoura sem importar com a quantidade de açúcar que aquele pedaço de mau caminho traz consigo. E fotografar. Com celular, câmera profissional, câmera analógica, instax… Não importa. O que importa é ter dias gostosos e carregar lembranças deles.

Da mesma forma, me propus a editar com mais frequência fotos pessoais que estão na fila fazendo aniversário. E toda vez que faço isso é tão bom! Encontro verdadeiras preciosidades que me arrancam sorrisos e trazem boas memórias. E a cada vez que finalizo a edição de fotos pessoais, fica ainda mais forte um pensamento que tenho… Quem fotografa com o coração e faz disso uma arte, traz a fotografia consigo e coloca a sua essência em suas fotografias. Seu olhar está presente não só nos trabalhos, mas nas fotos do seu dia-a-dia, independentemente da ferramenta.

E eis que encontro as fotos de um dia em que recebemos uma visita muito especial. Nossa priminha Sophia foi passar um fim de semana conosco, ou melhor, com sua Dindinha Lu. Ela é o chamego da Lu desde que nasceu. A casa estava uma zona! Aquela zona de domingo que amanhece preguiçoso e só quer saber de sofá e filme. Que pode deixar pra arrumar as coisas mais tarde, quiçá na segunda. Que prefere pegar a câmera e fotografar a baguncinha dos amores.

Eu não apareço nas fotos. Mas estou ali. Vejo um pedacinho de mim em cada uma delas. E me delicio com a fotografia que é autêntica e está dentro de mim.

Uma semana depois… {sessão Boas Vindas}

setembro 2nd, 2014

Após uma semana do seu nascimento, tive o prazer de fotografar o Bernardo novamente. Dessa vez em uma sessão Boas Vindas bem diferente. Do jeitinho que eu gosto!

A Carol e o Rodrigo são do Sul e vieram pra Brasília por motivos de trabalho, o que é bem comum por aqui. Suas famílias vieram de longe para conhecer o mais novo torcedor do Inter (Será, Rodrigo? Acho que no que depender do pai…). E eu me senti privilegiada em fotografar esse encontro de gerações. É muito gostoso poder ver a alegria de uma família celebrando a chegada de um bebê. Conhecer um pouquinho dos seus costumes. Ver culturas se misturando e formando as raízes que, um dia, serão a base do pequeno Bernardo.

Em um determinado momento, ali com a família toda reunida, apareceu um álbum antigo de fotografias. E na minha frente se materializou a cena que tanto imagino quando entrego um álbum pra um cliente… Penso logo nos álbuns da minha família que guardamos com tanto carinho e que tantas vezes nos reuniram, nos fizeram rir, chorar, contar histórias. Verdadeiros tesouros. Nem preciso dizer que me emocionei. É pra isso que eu fotografo! Pra mim, essa é a essência da fotografia de família. Retratar momentos gostosos, únicos, que vão trazer boas lembranças no futuro. Despertar emoções.

E é essa essência que eu trago para as sessões Boas Vindas. Um olhar mais documental, que retrate aquele bebê que nasceu há poucos dias no seu ambiente. Ele se adapta ao novo mundo, do lado de fora da barriga, e todos se adaptam à nova rotina, que muda a cada dia. Gosto muito de fotografar bebês recém-nascidos com esse olhar, como já falei nesse post aqui.

E assim foi a sessão Boas Vindas do Bernardo. Cheio de autenticidade, leveza e alegria. Ele rodeado por aqueles que o amam. Por sua família… a base que vai carregar pro resto de sua vida.

Carol e Rodrigo, muito obrigada por apostarem em algo diferente do tradicional. Vocês não imaginam o carinho que tenho por esse ensaio e por vocês!

O Bernardo veio com o nascer do dia {parto domiciliar}

agosto 26th, 2014

Sabe aquela pessoa doce? E que está sempre com um sorriso embelezando seu rosto? A Carol é assim! Nos conhecemos na Roda de Gestantes da qual sou parceira. Mas foi em um dos cafés mais legais da cidade que pudemos nos conhecer melhor, conversar sobre a gestação, sobre suas expectativas a respeito do parto. Acompanhados de bom café e delicioso brownie, papeamos um bocado e eu percebi o quanto seria especial estar com aquele casal no dia do nascimento de seu filho.

No decorrer da gestação, eles foram buscando informações, se empoderando e  já na reta final, nas últimas semanas, optaram por um parto domiciliar. O universo conspirou pra que a vontade deles fosse atendida.

Na madrugada recebo uma mensagem no celular. Doce como a Carol, mesmo com as dores que trariam seu bebê, não poderia deixar de ser… Na mensagem ela dizia que estava com contrações bem doloridas e regulares e que daria notícias assim que o trabalho de parto evoluísse. Ao amanhecer, a mensagem que sempre me traz frio na barriga. Em outras palavras, na linguagem de bons entendedores, dizia “vem!”.

Eu que já estava com equipamento pronto, no meio do caminho pra não pegar trânsito caso fosse chamada cedinho, em poucos minutos estava na casa onde o pequeno Bernardo estava prestes a nascer. Encontrei Carol serena. Sentindo dor, mas serena. Concentrada no seu corpo, sentindo seu bebê mais perto a cada contração. Seu marido, Rodrigo, sempre tranquilo e companheiro. Serenidade e tranquilidade… casamento perfeito para um parto!

Foi um trabalho de parto bem rápido. Evoluía rapidamente, assim como o Sol vai ganhando o céu, ao nascer o dia. Tão rápido que no instante em que fui abrir a porta pra enfermeira que tocava a campainha, tendo em vista que era a única pessoa livre pra isso, Bernardo simplesmente escorregou. Ainda consegui fotografar a médica entregando o pequeno bebê a seus pais. E, em seguida, fotos que tanto adoro… A expressão dos pais ao verem seu bebezinho pela primeira vez. Aquele amor que, apesar de já existir durante a gestação, parece que cresce, se renova, como se fosse algo à primeira vista. Que imagens valiosas!

Tudo vira uma novidade. A cena que se configurava à minha frente era de dois pais completamente encantados por aquele bebê que acabavam de conhecer. Admiravam cada pedacinho daquele pequeno ser e, com seus olhares, o cobriam de promessas de amor e cuidado por toda a sua vida.

Bernardo nasceu respeitosamente em sua casa às 7h51, com 48 centímetros e 2,360 kg. Nas suas primeiras horas, recebeu a visita de seus avós, que eram pura felicidade.

Equipe que acompanhou a família:

Doula: Erica de Paula

Obstetra: Caren Cupertino

Enfermeira obstetra: Melissa Martinelli

A flor do cerrado {universo feminino}

agosto 13th, 2014

No meio do cerrado surge uma flor

Uma flor repleta de vida e exuberância

Exuberância de quem carrega mais uma vida consigo

E nessa tarde seca ela foi só beleza e plenitude

 

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