• Ana Paula Batista

Mãe, resgate a mulher que você é

Atualizado: 24 de out. de 2021



Ao longo da vida, desempenhamos diferentes papéis. Temos personas. Somos filhas, irmãs, netas, empregadas, empreendedoras, estudantes, artistas, companheiras, mães. Quando nos tornamos mães, até mesmo pela total dependência do bebê, mergulhamos na maternidade e, muitas vezes, outros dos nossos papéis vão sendo negligenciados. Esse movimento é até bastante esperado, afinal de contas bebês além de consistirem em pequenos seres apaixonantes, dependem completamente dos cuidados de outro ser humano para que possam sobreviver. A demanda é alta. E a nossa entrega também.


Acontece que muitas vezes nesse mergulho a gente se perde, se engancha e não consegue voltar na superfície para respirar. Nos perdemos de nós mesmas. Deixamos sonhos, carreira, pessoas para trás. Paramos de fazer muitas das coisas que nos preenchiam. Claro que novos caminhos se formam, a vida ganha novo sentido. Nossa rotina fica mais bagunçada, mais barulhenta e também mais colorida, com mãozinhas pequeninas acariciando nosso rosto e os abraços mais apertados e gostosos do mundo. Você se reconhece nessa história?


Conforme a criança vai crescendo e ganhando mais autonomia, podemos ir retomando alguns planos que ficaram parados, a nossa individualidade, dando mais atenção a outros papéis, desengavetando desejos antigos. Entretanto, é comum que a gente simplesmente empurre tudo isso com a barriga e coloque nossa procrastinação na conta da maternidade. Que fardo pesado para nossos filhos, não? Nessa conta colocamos também o fato de deixarmos de olhar para nós mesmas, como mulheres plurais, integrais que somos.


Mergulhar de cabeça em apenas uma persona não é saudável pra ninguém. No caso da maternidade, não é bom pra gente e nem para as crianças. É importante as crianças aprenderem que temos diferentes papéis e relacionamentos, aprenderem sobre individualidade e seus limites. Se cuidamos de nós mesmas de forma mais atenciosa, conseguimos estar mais plenas também em nossos relacionamentos. Conseguimos cuidar melhor dos filhos. Todos à nossa volta agradecem.


Precisamos quebrar mitos de super mulher ou super mãe e mostrar a todos os que estão ao nosso redor que somos mulheres normais, mulheres de verdade com falhas, desejos, medos, necessidades. Mas antes de mostrar para o outro, precisamos nos ver dessa forma. Olhar para nós mesmas de forma integral, com amor, generosidade e autocompaixão. Empacamos em nossos projetos, nos podamos por pura autocrítica, que maquiamos de perfeccionismo, achando que é uma qualidade. Somos cruéis com nossos corpos e com nossa imagem. Pelo menos digo por mim. Já deixei de me divertir em uma praia, piscina ou cachoeira por ficar com vergonha de me expor de biquíni. Você também passou por isso?


Não vou te dizer que um ensaio fotográfico vai mudar completamente a forma como você se vê. Não vai resolver questões profundas de autoestima. Mas posso te garantir que é um passo em um processo. Mexe com a gente e nos coloca para olhar para nós mesmas. Olhar para nossa história, olhar para nossas personas, olhar para as fotografias depois de prontas são ações que podem ter efeitos terapêuticos. Impulsionar transformações.


Para você que é mãe, desejo iluminação nessa missão grandiosa que tem em suas mãos. E também desejo que você consiga reservar tempo para você, mesmo que a rotina seja bem desafiadora. Que você consiga cuidar de si e equilibrar suas personas. Que você não se desfaça de sonhos antigos, a não ser que realmente não façam mais sentido. E que você se olhe como a mulher inteira e maravilhosa que é.


Com amor,


Ana

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